Além do Gênero

Tag: morte

Violência de Gênero e Saúde da Mulher.

“O gênero – construção social e histórica – é determinante dos padrões de relacionamento entre homens e mulheres, e assim, pode-se invocá-lo como fator determinante do processo de adoecimento e morte da população masculina e feminina.

As causas externas, ou seja acidentes e violências, estão entre as principais causas de morte da população jovem masculina. Embora sem esquecer outros fatores sociais, econômicos e políticos, já existem estudos demonstrando que os padrões de masculinidade – que valorizam a agressividade, a competitividade e a negação das emoções – levam os homens, desde a infância a adotarem comportamentos de maior risco do que as mulheres. Eles dirigem em maior velocidade e com mais ousadia, transformando-se nas principais vítimas das mortes por acidente de trânsito. A maior parte dos homicídios ocorre na população masculina. E se é menor a freqüência de suicídio entre homens do que entre mulheres, eles escolhem métodos mais agressivos e raramente saem com vida de uma tentativa deste tipo.

Analisando-se as estatísticas por mortes violentas percebe-se que as mulheres correspondem a uma parcela significativamente inferior à população masculina. Não é portanto, em termos de mortalidade que a violência contra a mulher se expressa nas estatísticas de saúde-doença, embora, deva-se ressaltar que entre os homicídios que atingem a população feminina, em torno de 70% a 80% os companheiros são os autores do crime.

A violência contra a mulher tem outra feição, na maioria das vezes o episódio agudo e mais grave da violência é o fim de linha de uma situação crônica, insidiosa, que aos poucos foi desmontando as defesas das vítimas até deixá-la completamente à mercê do agressor, sem condições até de pedir ajuda.
A violência nas relações de casal, nas relações afetivas, íntimas, no interior das famílias, expressa dinâmicas de afeto/poder, nas quais estão presentes relações de subordinação e dominação. E no contexto atual, na maioria das vezes, a mulher ainda está em posição desfavorável.

Na íntegra, aqui.

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“Aborto: As mulheres decidem, a sociedade respeita e o Estado garante.”

“Bento XVI defendeu a excomunhão de políticos que legalizem o aborto O Papa chegou ontem a São Paulo, iniciando a sua visita de cinco dias ao Brasil com o desejo de que a Igreja latino-americana reforce a sua identidade “promovendo o respeito pela vida desde a sua concepção até ao seu declínio natural”. Bento XVI, que discursou em português, foi recebido pelo Presidente Lula da Silva.

Ainda a bordo do Boeing 777 da Alitalia, o Papa defendeu que os políticos católicos que aprovem a legalização do aborto sejam excomungados. “Está escrito no direito canónico que a morte de uma criança é incompatível com a comunhão “, disse. Bento XVI referia-se à ameaça de excomunhão proferida pela hierarquia da Igreja mexicana ao presidente da câmara da Cidade do México, que aprovou a liberalização da interrupção voluntária da gravidez.

A polémica sobre o aborto foi também lançada no Brasil pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Ontem, o ministro afirmou que se os homens engravidassem “a questão já estaria resolvida há muito tempo”.

Além do aborto, o Papa deverá também falar da sua “preocupação” com a progressão das “seitas” no Brasil, numa referência às igrejas evangélicas e pentecostais. Nos últimos anos, o número de católicos no Brasil caiu para quase 74% – ou seja 140 milhões -, enquanto os evangélicos representam já perto de 18% da população. “Devemos tornar-nos mais missionários, ou mais dinâmicos, para oferecer respostas à sede de Deus”, afirmou o Papa no avião. O tema será um dos principais da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e Caraíbas, que Bento XVI inaugura no domingo.”

Fonte: DN Online

Aproximadamente 10 milhões de mulheres estão expostas a gravidez inesperada, seja por falta de informação, de acesso ou uso inadequado dos métodos. (Fonte: Programa de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde).

Estima-se que ocorram no Brasil cerca de 800 mil abortamentos por ano. O abortamento constitui a 5ª causa de internação, é responsável por 9% das mortes maternas e 25% da esterilidade por causa tubária. (Fonte: Programa de Saúde da Mulher M.S.).

No Brasil, 40.1% das mulheres, entre 15 e 45 anos, que vivem em união estão esterilizadas. Na PB, este índice chega a 47.9% (Fonte: Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde).

As mulheres e os adolescentes constituem a população que mais aumenta no contágio do HIV. No inicio da epidemia, a razão era 01 mulher para 40 homens. 1998/1999, hoje é 01 mulher para cada 01 homem, e em algumas regiões como São Paulo é de 01 para 01. ( Fonte: Coordenação DSTs/AIDs M.S.).

No Brasil, 18% das adolescentes, entre 15 e 19 anos, ficaram grávidas pelo menos uma vez. Uma, em cada três mulheres de 19 anos, já é mãe, ou está grávida do 1º filho; 49.15% desses filhos foram indesejados. No Nordeste, 20% das adolescentes têm pelo menos um filho. (Fonte: PNDS).

Na Paraíba, a taxa de mortalidade materna na PB (1996) é de 82,58% por 100.000 nascidos vivos com índice de 3,8 óbitos por 10.000 internações por curetagens após aborto, este mesmo dado é de 2,0 para o Brasil.

Em João Pessoa, de cada 5 mulheres que procuram a maternidade pública, 2 buscam assistência ao aborto incompleto (Fonte: Cunhã Coletivo feminista/97).

Em João Pessoa, no primeiro semestre de 1999, quatro crianças entre 09 e 12 anos estiveram na rede pública de saúde para serem assistidas no parto ou abortamento incompleto. (Fonte: Cunhã – Coletivo feminista/99).

“Débora Diniz: “A gestação não pode ser um dever imposto pelo Estado, ela tem que ser um direito de escolha”.

A antropóloga argumenta que o Brasil, por ser um Estado laico (que se opõe a tudo o que tenha qualquer ligação com a religião organizada), deve dar a liberdade para que as pessoas possam manifestar as crenças que quiserem, inclusive crença alguma.”